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iFood Camp: como IA, comportamento e brasilidade estão redesenhando o jeito de construir produto
PRODUCT & DESIGN23 fev.

iFood Camp: como IA, comportamento e brasilidade estão redesenhando o jeito de construir produto

Com lideranças de iFood, OLX e Grupo Boticário, o evento discutiu IA, hiperpersonalização e os desafios de construir tecnologia no contexto brasileiro


Inteligência artificial, comportamento e contexto cultural estiveram no centro das discussões da primeira edição do iFood Camp, encontro promovido pelo iFood para discutir os desafios atuais da construção de produtos digitais.

Realizado no dia 10 de março, o evento marcou os 15 anos de existência da empresa e reuniu lideranças de empresas que atuam na linha de frente da tecnologia e do desenvolvimento de produtos no Brasil. Participaram da conversa Bel Araújo, Design and Product Director, Lucas Montez, Tech Growth Director (ambos do iFood), Lilian Ferraz, Chief Product Officer da OLX Brasil, e Renato Pedigoni, Chief Technology Officer do Grupo Boticário. A mediação ficou por conta de Bruno Parizotto, Senior Group Product Manager do iFood.

Durante mais de duas horas de conteúdo, os participantes discutiram temas como hiperpersonalização, aplicação de inteligência artificial em produtos digitais e o impacto das particularidades do mercado brasileiro na forma como a tecnologia é desenvolvida e escalada.

Mais do que apresentar tendências, o encontro buscou compartilhar perspectivas de quem está lidando diretamente com esses desafios e transformar avanços tecnológicos em experiências relevantes para milhões de pessoas.

A abertura: um marco para compartilhar como fazemos produto

A abertura do evento ficou por conta de Bel Araújo, Design and Product Director do iFood, que contextualizou o iFood Camp como uma iniciativa criada para ampliar a troca com o mercado em um momento de transformação acelerada.

A proposta é que o iFood Camp se torne um espaço contínuo de discussão sobre tecnologia, produto e dados, reunindo pessoas que estão enfrentando desafios semelhantes no dia a dia.

Ao trazer esse posicionamento, Bel reforçou a intenção de construir um fórum recorrente, onde aprendizados práticos possam ser compartilhados à medida que a indústria evolui.

Além disso, ela também foi responsável por apresentar o Jeito iFood de Fazer Produto (JIP). A novidade foi classificada por ela como “a bússola que orienta as decisões da empresa”, e é definida pelos cinco pilares abaixo:

Sonhar grande, começar pequeno

Guiar o caminho com dados

Ir além da tela

Construir pontes

Fazer produto com alma de negócio

O JIP não é um mero framework. No evento, ele foi apresentado como uma forma de organizar a complexidade: manter os pés no chão sem perder ambição, dar velocidade sem abrir mão de contexto e evoluir produtos conectando usuários, negócio e ecossistema.

IA começa em dados. E dados representam comportamento

Na sequência, Lucas Montez, Tech Growth Director no iFood, aprofundou um dos eixos centrais da noite: a relação entre inteligência artificial, comportamento e brasilidade.

Falar de IA é falar de sistemas que aprendem com dados. E esses dados, na prática, são registros de comportamentos humanos. Por isso, entender comportamento não é uma camada acessória do produto. É parte central da inteligência que sustenta as experiências realmente relevantes.

No contexto brasileiro, essa dimensão é ainda mais profunda. Como Lucas disse, “o Brasil não é uma realidade homogênea”.

“(O Brasil) é um país marcado por variações culturais, regionais, linguísticas e sociais que mudam a forma como as pessoas buscam, escolhem, consomem e interagem com produtos digitais”

Exemplos do próprio iFood ilustram essa realidade: há itens com nomes variados em regiões distintas do país. Há, também, hábitos de consumo que variam conforme o contexto local e preferências de pagamento profundamente conectados à realidade do país, só para citar alguns casos.

Quando produto e tecnologia conseguem captar essas nuances, os dados ajudam a orientar decisões e a melhorar a experiência do usuário.

IA, hiperpersonalização e o desafio de novas jornadas de produto

Durante o evento, Lucas Montez apresentou o Large Commerce Model (LCM), modelo proprietário de inteligência artificial do iFood treinado com dados reais e anonimizados, que refletem a diversidade de comportamentos do Brasil. A proposta é transformar sinais do uso da plataforma (como frequência de compra, preferências alimentares, horários de pedido e sensibilidade a preço) em uma base para criar experiências mais contextuais e personalizadas.

Nesse cenário, a hiperpersonalização deixa de ser apenas mostrar recomendações diferentes para cada pessoa. Ela passa a entender melhor o contexto de cada usuário e a traduzir essa leitura em jornadas mais relevantes e fluidas.

Ao mesmo tempo, como destacou Bel Araújo, esse avanço também muda a própria forma de estruturar produtos digitais. Durante anos, as experiências foram organizadas em fluxos relativamente previsíveis, com sequências claras de páginas e etapas. Com o uso crescente da IA, essas jornadas tendem a se tornar menos lineares e mais modulares, o que encurta caminhos, integra serviços e adapta interações em tempo real.

Esse novo cenário amplia as possibilidades, mas também a complexidade. Quanto mais dados e capacidade de personalização, maior o desafio de transformar essa inteligência em experiências que realmente gerem valor para os usuários e para o negócio.

Tecnologia construída a partir do contexto brasileiro

Na segunda parte do evento, Renato Pedigoni, CTO do Grupo Boticário, e Lilian Ferraz, CPO da OLX Brasil, juntaram-se a Bel Araújo e Lucas Montez em uma roda de conversa mediada por Bruno Parizotto, Senior Group Product Manager do iFood.

Um dos temas centrais do painel foi a vantagem de desenvolver tecnologia considerando as especificidades do mercado brasileiro. Para Renato, essa complexidade aparece em múltiplas frentes no caso do Grupo Boticário: diferentes marcas, canais físicos e digitais, uma extensa rede de parceiros e uma cadeia altamente integrada. Nesse contexto, tecnologia e IA são fundamentais para personalizar experiências e otimizar decisões em escala.

Lilian destacou outro elemento central para as plataformas digitais: confiança. No caso da OLX, entender linguagem, contexto regional e padrões de comportamento é essencial para criar experiências seguras.

A conversa também abordou o papel da hiperpersonalização, que hoje vai além de recomendações ou segmentações tradicionais. Com mais dados e capacidade de interpretação, os produtos podem acompanhar o usuário ao longo de toda a jornada, e não apenas no momento da transação.

Como exemplo, Lilian citou um recurso da OLX em que IA simplifica a criação de anúncios a partir de fotos, o que reduz a fricção e aumenta a conversão. Renato falou sobre iniciativas do Grupo Boticário que buscam aproximar o digital da experiência de atendimento construída nas lojas físicas, conectando histórico de compras e preferências entre canais.

As falas apontaram para uma mesma direção: usar inteligência e contexto para construir experiências mais relevantes, sem perder de vista o que realmente funciona para quem está na ponta.

Quando construir fica mais fácil, decidir bem vira o diferencial

Na parte final da conversa, o painel discutiu como a inteligência artificial está mudando a forma de construir produtos. Com o custo de desenvolver tecnologia cada vez menor, o diferencial passa menos pela viabilidade técnica e mais pela capacidade de identificar problemas relevantes e conectar tecnologia a valor de negócio.

Bel destacou como esse cenário acelera ciclos de decisão e amplia o acesso a conhecimento dentro dos times. Renato trouxe a perspectiva da engenharia, com ganhos de produtividade a partir do uso de fluxos agênticos na geração de código. Lilian apontou para um futuro em que produtos conseguem antecipar necessidades dos usuários, enquanto Lucas reforçou que, se construir fica mais barato, entender profundamente o que as pessoas querem se torna ainda mais estratégico.

Nesse contexto, ganhou força ao longo do painel a ideia do perfil “builder”: profissionais capazes de identificar problemas, testar caminhos e usar as ferramentas disponíveis para construir soluções de ponta a ponta. Mais do que executar tarefas isoladas, o foco passa a ser resolver problemas com contexto, autonomia e velocidade.

O futuro da construção de produtos digitais

As discussões do iFood Camp deixaram claro que inteligência artificial, hiperpersonalização e análise de comportamento já estão redefinindo a forma como produtos digitais são pensados e construídos.

As conversas entre lideranças do iFood, OLX e Grupo Boticário mostraram que, em um mercado como o brasileiro, desenvolver tecnologia exige mais do que aplicar modelos globais. É preciso entender o contexto, interpretar dados com profundidade e traduzir esses aprendizados em experiências relevantes para milhões de pessoas.

Do uso de modelos proprietários de IA à evolução das jornadas de produto, passando pelos impactos nas carreiras e nos times de tecnologia, o evento trouxe um panorama de como empresas estão lidando, na prática, com os desafios e oportunidades desse novo momento da indústria.

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Autor dedicado às publicações que são desenvolvidas pelo chapter de Produto do Ifood.

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