
Texto escrito por Fernanda Borém, Cientista de Dados Sênior e Mariane Bando, Coordenadora de Ciência de Dados do time de MediaLab.

O marketing digital vive um paradoxo: nunca tivemos tantos dados e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil isolar efeitos causais. Modelos de atribuição tradicionais capturam conversões diretas, mas deixam pontos cegos: campanhas de branding, canais offline, efeitos de longo prazo, efeitos de awareness.
A questão fundamental permanece: como estimar com confiança o impacto incremental de cada canal e decidir onde alocar o próximo milhão?
Este é o relato de como construímos o Bobyn, nosso MMM (Marketing Mix Model) proprietário, e a plataforma que busca democratizar a modelagem de mix de marketing no iFood.
Antes do Bobyn, tínhamos um problema clássico de inferência causal: medir o ganho incremental de cada canal de marketing nas KPIs de negócio, realizar simulações de investimentos e otimizar a alocação de budget (seja para sessões, pedidos ou outros KPIs). Os desafios eram previsíveis, mas não triviais:
Testamos ferramentas open-source conhecidas (Robyn, Meridian) e consultamos soluções de mercado. O problema não era capacidade técnica delas, inclusive, elas são excelentes, mas nosso contexto (múltiplas verticais, KPIs variados, necessidade de controle fino) pedia uma solução mais customizada:
A escolha ficou clara: construir nosso próprio MMM nos daria controle, transparência e a capacidade de evoluir o modelo junto com o negócio.

Com um MMM bem calibrado, conseguiríamos responder perguntas que antes dependiam de intuição ou testes A/B difíceis ou até impossíveis de serem realizados, por exemplo:
A solução envolveu duas frentes: construir um modelo que englobasse os desafios da modelagem e torná-lo acessível para toda a empresa.
Construir nossa própria solução em Python, usando bibliotecas como o PyMC, nos deu controle total. Optamos por modelagem Bayesiana, porque ela nos permitiu ir além dos números frios:
É importante notar que nosso objetivo não é enviesar arbitrariamente — é traduzir conhecimento de marketing em matemática.

Estrutura simplificada do modelo:
$$ Y_t = baseline_t + Σ (saturação(adstock(spend_canal_i))) + efeitos_t $$
onde:
Um modelo brilhante nas mãos de poucos tem impacto limitado. Por isso, criamos uma plataforma interna que permite que qualquer analista de negócio crie seu próprio MMM de forma simples e rápida, adicionando conhecimento operacionais de forma simples.
O que a plataforma faz?
Benefício não-planejado
A plataforma simplifica a criação de modelos, mas não elimina a necessidade de conhecimento técnico — e isso é proposital. Sempre que um novo time se interessa, buscamos fazer um onboarding completo: explicamos a metodologia, de onde vêm os números e como interpretar intervalos de credibilidade.
Esse processo virou parte essencial do produto. Percebemos que a confiança nos resultados não vem só da acurácia do modelo, mas de stakeholders entenderem por que o modelo sugere determinada alocação. A plataforma facilita a experimentação, mas o aprendizado técnico continua sendo necessário — e desejado.
O resultado é uma solução robusta que está se expandindo por toda a empresa, muito além do time de marketing. Tornou-se uma ferramenta estratégica de planejamento.
Um dos grandes apoiadores do projeto foi o time de Branding, que tem buscado ser cada vez mais Data-Driven para tomar decisões de investimento Historicamente, a área tem altos investimentos em mídia offline, logo a grande dor sempre foi: estamos investindo demais ou de menos? Mais ainda, estamos investindo corretamente?
Usando o otimizador e o simulador de cenários da nossa plataforma, o time conseguiu ter respostas para essas dúvidas, o que permitiu gerar e testar novas alocações de orçamento entre os canais, sem comprometer um único real do plano.
O resultado? Em Setembro, o time conseguiu reduzir o investimento em 2% – um número bem expressivo no absoluto – em alguns canais saturados mantendo o volume total de sessões.
Construir o Bobyn foi desafiador, mas valeu a pena. Ter controle total sobre o modelo significa que podemos iterar rápido, adicionar features customizadas e, principalmente, explicar para stakeholders exatamente de onde vêm as recomendações.
E este é só o começo. Já estamos explorando os próximas desafios:
Estamos calibrando o MMM com resultados de testes de geolift. A ideia é usar a incrementalidade medida via experimentos para sugerir as distribuições priors, criando um ciclo de validação entre metodologias.
Ao longo desses últimos meses, também aprimoramos nossos modelos de atribuição (MTA), assim, o próximo passo é usar as distribuições dos modelos de MTA para informar as priors dos canais digitais no MMM. Essa abordagem é especialmente útil para canais com baixo volume de dados históricos.
Build vs buy não é binário: Ferramentas como Robyn (Meta) e Meridian (Google) são excelentes e resolvem bem para muitos casos. Mas nosso contexto — múltiplas verticais (food, groceries, pharma), KPIs variados (sessões, pedidos, GMV, ROI), necessidade de iterar rápido — pedia customização profunda.
Interpretação > acurácia: Stakeholders confiaram no modelo não somente porque ele tinha métricas boas, mas porque entenderam a lógica por trás. A transparência venceu a complexidade.
É importante investir tanto tempo em visualizações e explicações, quanto em tuning de priors. Os gráficos de contribuição, saturação e simulações interativas geraram mais confiança que um diagnóstico de modelo perfeito.
Self-service tem limite: A plataforma acelerou a adoção, mas o onboarding técnico continua essencial. Não queremos criar modelos mal configurados, porque isso gera decisões ruins.
Sobre nós
Prazer, nós somos o time de MediaLab no iFood! Nosso trabalho é construir ferramentas de dados que ajudam os times de mídia, branding e CRM a tomarem decisões melhores: do Bobyn (MMM) a agentes LLM para hiper personalização de notificações.
Se você trabalha com marketing analytics, experimentação ou modelagem Bayesiana e quer trocar ideias, chama a gente no LinkedIn ou comenta aqui embaixo!

Data Scientist Lead
Coordenadora de Ciência de Dados no iFood. É mãe da Olívia, ama cozinhar, maratonar séries e ler.
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Nesta publicação, apresentamos como o iFood se beneficiou da utilização de uma Plataforma de Features, que além de simplificar o gerenciamento de features, também proporcionou uma infraestrutura robusta, eficiente e mitigou problemas de latência anteriormente enfrentados na detecção e combate à fraudes.

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